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'Tinha medo': filha única de Lampião e Maria Bonita revela como era relação com cangaceiros

'Tinha medo': filha única de Lampião e Maria Bonita revela como era relação com cangaceiros O Globo Repórter desta sexta-feira (22) percorreu cenários his...

'Tinha medo': filha única de Lampião e Maria Bonita revela como era relação com cangaceiros
'Tinha medo': filha única de Lampião e Maria Bonita revela como era relação com cangaceiros (Foto: Reprodução)

'Tinha medo': filha única de Lampião e Maria Bonita revela como era relação com cangaceiros O Globo Repórter desta sexta-feira (22) percorreu cenários históricos do sertão nordestino para recontar a trajetória do cangaço, um movimento marcado por violência, sobrevivência e também por histórias pouco conhecidas. A reportagem mostrou relatos inéditos sobre a vida de Virgulino Ferreira, o Lampião, e Maria Bonita — incluindo o depoimento raro da filha única do casal, Expedita Ferreira. O cangaço é brasileiro: Globo Repórter investiga movimento e presença de mulheres Fotografia de Expedita Ferreira quando criança Reprodução/TV Globo Expedita nasceu em 1932, em meio à rotina de fugas e batalhas do bando. Ainda bebê, com apenas 21 dias, foi entregue a uma família amiga dos cangaceiros. A decisão foi tomada porque o grupo não permitia a presença de crianças e a vida no cangaço não era considerada adequada para uma filha. Apesar da separação, os pais chegaram a visitá-la algumas vezes. Mesmo assim, o reencontro não foi marcado por afeto — e sim por medo. “Tinha medo daquelas armas, daquelas coisas... daquela arrumação deles”, relembra Expedita. Em um dos encontros, ela conta que se escondeu debaixo da cama ao ver Lampião. O pai precisou retirá-la do esconderijo e colocá-la no colo, mas o desconforto permaneceu. “Eu me escondi debaixo da cama... ele me tirou e me botou no colo. E ela [Maria Bonita] ficou atrás. Ai eu fiquei só olhando para baixo”, disse. Fotografia de Lampião e Maria Bonita Reprodução/TV Globo O temor não se limitava apenas às armas. A figura de Lampião, líder de um dos grupos mais conhecidos e temidos do sertão, também contribuía para o distanciamento. Durante a entrevista, Expedita descreve traços que acredita ter herdado do pai. “A desconfiança. Acho que herdei dele, porque ele era muito desconfiado”, afirmou. Já ao falar da mãe, Maria Bonita, a lembrança é ainda mais distante. Segundo ela, a cangaceira era mais reservada e pouco expressiva. “Acho que ela não abria nem a boca”, comentou. Questionada sobre sentimentos mais profundos, a resposta surpreende: “Acho que não [cheguei a amar meus pais]”, disse. Expedita também refletiu sobre a própria dificuldade em lidar com demonstrações de afeto ao longo da vida. “Eu sei lá o que era carinho”, afirmou. 'Tinha medo': filha única de Lampião e Maria Bonita revela como era relação com cangaceiros Reprodução/TV Globo Apesar da história marcada por rupturas, ela construiu uma família e teve quatro filhos. Hoje, vê continuidade na vida que seguiu longe do cangaço. No entanto, o peso da história da família continuou presente. Os descendentes de Lampião e Maria Bonita contam que enfrentaram preconceito ao longo dos anos. “Umas pessoas diziam ‘raça de Lampião não presta’... então a gente ficava mais fechadinho em casa”, contou uma das familiares. Expedita com os filhos e o irmã de Lampião Reprodução/TV Globo O cangaço é brasileiro O Globo Repórter revisita a história do cangaço para mostrar como esse fenômeno marcou o sertão nordestino, revelando suas contradições entre violência, sobrevivência e resistência. A reportagem traz relatos de pesquisadores e personagens que ajudam a entender por que os bandos se formaram e como conseguiam viver em um ambiente tão hostil. O programa destaca que o cangaço faz parte da identidade cultural do país, atravessando gerações e permanecendo vivo na memória, na cultura e no turismo do Nordeste. Mais do que passado, ele segue como símbolo de um Brasil profundo e complexo. Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo: Confira as últimas reportagens do Globo Repórter: